JEFFERSON DEL RIOS E SUAS VIVÊNCIAS MAIS QUE ELEMETARES

JEFFERSON DEL RIOS E SUAS VIVÊNCIAS MAIS QUE ELEMETARES

Não foi lampejo, muito menos faísca. Quando conheci Jefferson Del Rios fui tomando por uma luz ímpar. Um relâmpago no matagal. Foi o suficiente. Sabíamos que a partir do primeiro encontro a vida nos tinha brindado. E brindamos com muita bebida e muito sorriso. Foi Edla Van Steen e Sábato Magaldi quem me apresentaram a ele. Eu, tímido como nunca fui, fiz o primeiro contato. Luz na primeira voz, luz na imagem. Jefferson Del Rios é a infância permanente. É sorriso na toca do urso. Pouco sabia de sua história e de sua vida.  A amizade veio de súbito. Em duas noites sabíamos quase tudo um da história do outro. Um pouco a contragosto da Bia, sua esposa, mas ela logo percebeu o tamanho da iluminação que nos acompanhava. A partir daí aconteceram os primeiros e-mails, os primeiros telefonemas e os primeiros encontros. Jefferson Del Rios é um dos críticos de teatro mais respeitados do Brasil. Acabou de publicar, pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, dois volumes reunindo mais de 40 anos de exercício crítico. Aos leitores deste espaço oferecemos a entrevista inédita com o grande Rios, ou melhor dizendo: o grande Jefferson Del Rios Vieira Neves, o cara!

 Qual a raiz histórica da crítica teatral brasileira?

 Ela começa no século 19 com a dramaturgia nacional e a imprensa diária. Em 1893, o Jornal do Brasil já tinha seu crítico regular, Joaquim Lúcio de Albuquerque Melo, que cobria o palco e os “saraus familiares”.

 E como você começa a fazer crítica teatral?

Eu era mais um jovem repórter da Folha de S. Paulo quando minha curiosidade por temas culturais chamou a atenção dos editores, e um dia fui chamado para a Folha Ilustrada. Já era estudioso e assíduo frequentador de teatro. Pouco tempo depois, o diretor de redação, o grande jornalista Cláudio Abramo me convidou para assumir a crítica teatral. No exterior, frequentei cursos na Universidade de Sorbonne, Paris, fui aluno-ouvinte de Bernard Dort, especialista de Brecht e tive a sorte de acompanhar ensaios de Peter Brook e Jorge Lavelli, um argentino contemporâneo de Victor García.

 Qual será o futuro da crítica já que dispomos de reduzidos espaços para o seu exercício?

Não há problema de espaço. O problema é a banalização triunfante em qualquer setor, o predomínio do entretenimento, dos mega-espetáculos. A nós restarão os “cadernos especiais” que nos fins de semana oferecem uma compensação de cultura ao leitor exigente. No entanto, respondendo, em fevereiro de 2011, devo dizer que o jornal O Estado de S. Paulo faz uma cobertura teatral de alta qualidade e mantém dois críticos sem restrição de espaço. É uma tradição honrosa da casa desde a criação do Suplemento Literário nos anos 50.

Qual a função da crítica teatral? Qual aspecto o crítico deve ressaltar em seus textos?

A crítica é opinião, documentação, memória. Nesse processo, erros também são cometidos. Sem esses elementos, não se tem o pensamento analítico, a história. Pessoalmente, evito o excesso teórico, citações e rodapés. Dou prioridade ao espetáculo.

A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que tem publicado inúmeros livros sobre o teatro brasileiro, lançou, em 2010, dois volumes com suas críticas teatrais. Por que decidiu reunir seus textos somente agora?

Porque estava ocupado com meu trabalho e porque há pouco espaço para o teatro no mundo editorial. A Imprensa Oficial é uma louvável exceção. Isso me estimulou a reavaliar o que produzi ao longo de 40 anos. Achei que havia chegado a hora.

Sim, a crítica é documentação, memória. É o registro do fato cênico, que é tão fugaz e tão perpétuo ao mesmo tempo. O que pergunto é que aspecto o crítico tem por obrigação ressaltar? O que dimensiona a leitura de um espetáculo?

Obrigação de ressaltar é um tanto forte. Nunca se escreveu uma teoria sobre essas obrigações. Crítica não é ciência exata. Nos seus primórdios era feita por escritores ou jornalistas que faziam os famosos “rodapés” (ninguém hoje sabe o que é isso). Eram crônicas impressionistas. A crítica teatral brasileira moderna tem início entre 1941 e 1944, período da existência da revista Clima, de São Paulo. Ali surge o pioneiro Décio de Almeida Prado. Em 1956, é lançado o Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo. Foi ontem.

Quando falo em “obrigação de ressaltar” refiro-me a quais aspectos, no seu entendimento, devem ser priorizados ao se analisar um espetáculo?

Exatamente o fenômeno cênico enquanto se realiza no palco. A energia que nasce da somatória: texto, interpretação e concepção cênica. Transcrevo uma observação do Prof. Jacó Guinsburg que me deixa realizado: “Jefferson Del Rios sabe avaliar a arte do teatro no que ela tem de essencial: o espetáculo”

Décio de Almeida Prado, Sábato Magaldi e Barbara Heliodora estiveram envolvidos em quizílias com criticados. Como você avalia a relação, hoje, entre o olhar crítico e a defesa estética do criador?

Quem é dialogável e inteligente, discute, até asperamente e continua próximo. Ou como Antunes Filho me disse: “desavenças, mas amigos” O resto é anedotário. Não estou interessado em quizília. Estou interessado na contribuição direta de Sábato Magaldi ao Teatro de Arena em seus momentos difíceis, no estudo meticuloso e na divulgação de Nelson Rodrigues e na impecável carreira de Yan Michalski como crítico no Jornal do Brasil, professor na Casa das Artes Laranjeiras (CAL) e biógrafo de Ziembinski.

Eu discordo um pouco que as divergências entre o crítico e o criticado fiquem no campo do folclore. Vou dar um exemplo: Barbara Heliodora publicou, pela Editora Agir, em 2009, um livro muito interessante chamado Teatro explicado aos meus filhos. Quando fala dos encenadores brasileiros, comenta sobre quase todos, contudo esquece, propositalmente, de citar uma única vez o nome do Gerald Thomas.

Não quero falar de Barbara Heliodora rapidamente e apenas nesse caso. É outro mantra. Os críticos não são perfeitos, infalíveis. Não é uma defesa incondicional dela. Faço apenas algumas constatações. Barbara exerce a crítica desde 1958. Escreveu para o Jornal do Brasil durante seis anos e há muito tempo está no O Globo. Sabidamente tem muitos leitores. É especialista em Shakespeare, tradutora, e foi professora da História do Teatro da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO). Noto que ela tem o respeito dos artistas novos, embora sempre cause certa polêmica. Nesse caso, foi uma idiossincrasia dela, e ponto. Vamos ampliar o panorama.  Quero falar do bom crítico Macksen Luis que sucedeu Yan Michalski no JB. E falemos dos críticos anteriores: Martim Gonçalves, Van Jafa, Paschoal Carlos Magno, Gustavo Doria, Henrique Oscar, Armindo Blanco, Geraldo Queiroz, Oscar Araripe e Paulo Francis.  A contribuição deles, entre outros que devo ter esquecido, é maior que um desentendimento. Aliás, voltando à Barbara Heliodora, ela disse algo digno de nota. “A crítica é a última fase da criação artística.” Sempre me lembro de uma coisa: a arte é artificial. Você só não pode criticar a natureza. A natureza é, não foi criada. Todo o resto, se foi criado, é passível de análise. É claro que, se a crítica for negativa, a pessoa pode ficar chateada. Mas os artistas, em todas as artes, esperam que sua obra seja apreciada e comentada. Não tenho dúvida de que eles querem. A crítica é: “isto aqui foi criado e teve este resultado”. É uma apreciação necessária que completa o ciclo criativo da obra.”

Você pode falar sobre a ajuda de Sábato Magaldi ao Teatro de Arena e da irretocável carreira do Yan Michalski?

Sábato foi o assessor artístico informal do Teatro Arena, sobretudo na sua segunda fase quando José Renato, o fundador, deixa o grupo. Foi Sábato quem indicou Augusto Boal como novo diretor. Mas não é só. Sábato ajudou quase todo teatro paulista como jornalista, crítico, historiador, ensaísta, professor da Escola de Arte Dramática (EAD) e da Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA) e Secretário da Cultura do município. Formou gerações de profissionais. No Rio de Janeiro, Yan Michalski foi uma figura exemplar pela cultura, excelência de texto e isenção. São dois intelectuais e duas pessoas admiráveis.

Você tem participado, como jurado e curador, de inúmeros festivais. Como você avalia os festivais de teatro feitos no Brasil?

Festival é bom e existe em todo mundo. Periodicamente, um ou outro entra em crise, até deixa de existir, mas surgem outros. É uma concentração de energias, lugar de descobertas.

E a dramaturgia brasileira atual? Quem você destacaria?

Não tenho um nome predileto. Tenho uma geração inteira que começou a aparecer nos anos 90. A Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, publicou dez volumes com obras deles. Um dos volumes, o Dramamix reúne pequenas peças de dezenas deles. Nem todos ficarão, mas vários já são nomes sólidos. Não evito o tema, ao contrário. Fico é contente em ainda não ter tido tempo de conhecer todos eles.

Seu livro Bananas ao vento revela um momento difícil da cultura brasileira. Era o momento em que a “censura, cadeia, maus-tratos e a morte” rodavam as esquinas de algumas das principais cidades do país. Ainda assim tivemos, como você revela no livro, um dos períodos mais férteis no terreno da cultura e da arte? Por quê?

Porque assim, felizmente, caminha a humanidade. É preciso um período muito longo de repressão total para se aniquilar uma cultura. E mesmo assim o deserto absoluto não acontece totalmente. Nos intervalos e nos interstícios da repressão, a inteligência floresce. Aconteceu na Alemanha do entre-guerras e início do nazismo, na Rússia antes de Stálin dominar completamente o poder. Portugal e Espanha sofreram dois regimes tenebrosos e lá se faziam coisas boas.  

Por que as montagens que o argentino Victor García fez do Arrabal e do Jean Genet no Brasil se tornaram verdadeiras lendas? O que Victor tinha de tão especial como encenador que até hoje não há quem não se refira a estas montagens?

Victor García (1934 -1982) era tocado pelo gênio e nos iluminou em tempos de trevas. Transcrevo o diretor Antunes Filho para tentar explicar o que ele fazia: “Os espetáculos de Victor García eram sufocantes de tão extraordinários. Foram criações que abriram a cabeça de todos nós. Ele quebrava as coisas e propunha outra, sacudindo a poeira do teatro. Victor preenchia todos os espaços.”

Você fez a seleção de algumas peças do Juca de Oliveira para o livro da coleção Melhor Teatro da Editora Global. Pode falar um pouco sobre o Juca e sua carreira?

Como dramaturgo, Juca tem simpatia pelos suburbanos e imigrantes, o que me agrada, embora, sinceramente, comédia não seja o meu forte. Juca saiu do campo, no interior de São Paulo, para estudar na capital. Estava na Faculdade de Direito quando descobriu o teatro e o teatro descobriu seu grande talento de ator. É um prazer vê-lo representar, um homem culto, que escreve bem e conhece os mecanismos da dramaturgia.

Como foi atuar na imprensa durante a ditadura, você sofreu algum tipo de censura?

Não. Sem se omitir, aprendeu-se a escolher as palavras e ir passando o recado. Havia toda uma cumplicidade entre os artistas, a crítica e o público. Como nos subtextos das músicas de Chico Buarque naquela época. 

Gostaria de saber mais sobre seu encontro com o poeta Pablo Neruda?

Foi um acaso. Fui recebê-lo como repórter da Folha de S. Paulo no seu desembarque em São Paulo para uma homenagem a García Lorca. Neruda foi simpático comigo, mas não tivemos tempo de aprofundar nenhum assunto em particular. A vida me daria, mais tarde, oportunidade de encontros compensadores com, por exemplo, o memorialista Pedro Nava, o crítico e ensaísta Sábato Magaldi, a romancista Edla van Steen, José Saramago e vários outros escritores, além de pintores, cineastas, arquitetos, dramaturgos e artistas do palco.

O que você tem contra a expressão “anos de chumbo”? No livro Bananas ao vento você diz não gostar da expressão, qual o motivo?

Porque banalizou. Virou um clichê para tudo.  Chumbo é algo sério, nem o Raio-X o atravessa. Não interessam os heroísmos retóricos, bravatas depois que o perigo passou. É preciso pensar seriamente e tentar visualizar o local quando se fala em “porões da ditadura”. Senão vira um bordão a mais.

Em muitas de suas críticas dos livros Crítica Teatral I e Crítica Teatral II você se refere a certo cansaço em ver espetáculos que refletiam a ditadura militar. Como você avalia o teatro feito nos primeiros anos pós-ditadura? 

É mais um caso de impaciência, não cansaço, em relação ao discurso mais obvio, à “militância” com aspas. A ditadura não pode justificar arte de segunda. No piores dias, mesmo assim, se fez teatro bom, corajoso. Aliás, o meu livro Bananas ao Vento é o elogio a uma geração de intelectuais e artistas que não baixou a guarda política e nem o nível da sua criação.

E os críticos com atuação em São Paulo? Pode falar um pouco mais deles já que até agora falamos mais dos que atuaram no Rio de Janeiro?

Você mesmo lembrou em boa hora Athos Abramo (1905- 1968), que tem uma valiosa contribuição distribuída por jornais que deixaram de existir. Há um projeto de editar suas críticas em livro. Na Folha de S. Paulo, onde escrevi durante 15 anos (1969-1984) fui antecedido por Miroel Silveira, figura importante do teatro paulista, e por Paulo Mendonça, um dos destacados professores da Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD), onde estudei dois anos apenas, sem me formar. Depois de mim, Edélcio Mostaço, hoje professor na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), foi critico do jornal durante algum tempo. Ainda no Estado de S. Paulo, é preciso mencionar Delmiro Gonçalves, Clovis Garcia, um pioneiro da crítica ao teatro infantil, Ilka Marinho Zanotto, Maria Lúcia Pereira. Atualmente divido a crítica com Mariângela Alves de Lima. Não se pode esquecer da valiosa contribuição dos estrangeiros que adotaram o Brasil como os italianos Alberto D´Aversa e Ruggero Jacobbi, o alemão Anatol Rosenfeld e o português João Apolinário. Os três primeiros ficaram no país para sempre. Apolinário, já falecido, não resistiu ao apelo da volta da democracia a Portugal depois de exercer, durante mais de uma década, a crítica no jornal A Última Hora. Sei que o diretor Ademar Guerra lhe enviou cravos vermelhos na despedida, o que demonstra que a crítica e as artes não estão sempre em conflito.     

Saindo um pouco do “eixo”. Qual a sua relação com o teatro, com os críticos e atores de outros estados do Brasil?

Tenho muito interesse pelo teatro que se faz em outras regiões, ou seja, fora de São Paulo e Rio de Janeiro. Conheço grupos, dramaturgos, diretores e intérpretes. É mais difícil acompanhar a crítica porque a circulação dos jornais brasileiros é precária. Mas, em termos de sul do Brasil, não se pode deixar de mencionar, no Rio Grande, a crítica de Fernando Peixoto, hoje radicado em São Paulo, e Antonio Hohlfeldt. Em Florianópolis conheço seu trabalho e lamento não ter mais informações sobre seus colegas daí e do Paraná, de Minas Gerais e de todo Nordeste. Mas estou sempre atento. Acompanho, por exemplo, o Teatro Experimental do SESC de Manaus dirigido pelo romancista e dramaturgo Márcio Souza.  

Suas críticas sempre fazem referência ao cinema. Você sempre aproxima essas duas artes, por quê?

O teatro foi juntando outras artes ao longo dos milênios. Sim, falamos em milênios. Dança, pintura e música em primeiro lugar. O encontro com o cinema seria inevitável. Eles se atraem e se complementam. Para não nos alongarmos, basta dizer que Ingmar Bergman foi, sempre, cineasta e diretor teatral. Os esboços de cena de Akira Kurosawa são obras de um pintor.

O teatro feito por estudantes foi muito importante num período. Lembremos aqui a atuação do Tuca, Tusp e Tema entre outros. Hoje, como você avalia o teatro feito nas universidades?

Há em São Paulo um esforço de recuperação e estímulo dessa vertente do teatro. O movimento está sendo capitaneado pela nova versão do Teatro da USP (TUSP). Tento acompanhar o que se passa porque o país é imenso.

Você poderia comentar dois ou três espetáculos que mais o impressionaram e por quê?

Vou àquele momento em que você, quase distraído, é tomado pelo encanto teatral. Em primeiro lugar, “Pequenos Burgueses”, de Máximo Gorki, pelo Teatro Oficina (1964). Em seguida há uma lista enorme, mas digo dois momentos brasileiros: – os espetáculos de Victor García assistidos em São Paulo: “Cemitério de Automóveis”, de Arrabal (1968) e “O Balcão”, de Jean Genet (1969). E mais – todas as peças de Nelson Rodrigues encenadas por Antunes Filho. No exterior, houve momentos extraordinários com “A Classe Morta”, do diretor polonês Tadeusz Kantor; “Yerma”, de Lorca, novamente por Victor García (Madri) e “Ivone, a Princesa de Borgonha”, do dramaturgo polonês Witold Gombrowicz, pelo Teatro Experimental de Cascais, Portugal. Repito que são instantes em que você é tomado pelo teatro. O mesmo efeito pode ser causado por um só ator e no meu caso foi a experiência de assistir a Rubens Corrêa em vários desempenhos, mas, fundamentalmente, em “Diário de Um Louco”, de Gogol.

Das inúmeras teorias acerca do teatro, qual delas você tem maior simpatia? Qual a sua referência teórica no teatro?

Antes de gostar ou não gostar, crítico tem obrigação de estar sempre informado sobre os vários e contínuos movimentos teatrais. E ele está em mudanças aceleradas. Para não me alongar, ficarei em Antonin Artaud que é um visionário e um poeta. E temos toda vanguarda russa e alemã do entre-guerras. Impossível ignorar opostos complementares: o método de interpretação do russo Constantin Stanislavski e todas as teorias e obras de Bertolt Brecht.

Como você avalia as posições do Nelson Rodrigues sobre a dramaturgia nacional? Ele menospreza a visão do artista engajado politicamente e ironiza autores como Dias Gomes e Guarnieri. Debateu publicamente a questão com Vianinha. Nem Brecht escapou de suas posições e é mais que sabido o que ele pensa sobre Sartre.

Não conheci Nelson Rodrigues. Quem o conheceu diz que é preciso separar a pessoa real da “persona”, daquele personagem que Nelson criou para si mesmo. Sim, ele era às vezes reacionário, mas quando o filho foi preso político, e torturado, ele caiu na realidade. Provocava os autores de esquerda, mas quando a situação política ficou difícil para o Augusto Boal, deu um jeito de escrever uma crônica com aquelas frases dele dizendo que o único amor do Boal era o teatro. De resto, falar mal de Brecht, Sartre, acontece. Não é obrigatório a gostar de Sartre.

 E o que você pensa sobre arte e engajamento?

Engajamento no sentido de enquadrar politicamente, isso está acabado e não faz falta. O engajamento (ideológico? marxista? revolucionário? de qual revolução?) é uma palavra meio torta na questão. A arte transita melhor no campo do autoconhecimento, da melhoria da sensibilidade, no campo da transcendência e da compassividade e – sim, sim – da indignação social. Veja só, repito evidências.

Como você definiria Jefferson Del Rios?

Não sei. Mas para não ficar espaço em branco, digo uma coisa: se por algum motivo deixar a crítica, ou tiver de deixar, acho que continuarei espectador e jornalista, sobretudo em Política Internacional. Acho que sou bom nessa área. No mais, sou um apaixonado por cachorros. Já criei beagles e, agora, perdigueiro alemão. Descobri o teatro em circo-drama do interior e, um dia, passei a mão na pedra branca do túmulo de Shakespeare. Para mim, tudo bem.

 

FOTO 1:  Jefferson Del Rios por Jade Gadotti.

FOTO 2: Jefferson Del Rios por Eduardo Simões.

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2 respostas para “JEFFERSON DEL RIOS E SUAS VIVÊNCIAS MAIS QUE ELEMETARES

  • Marcelo Artur Negrão Monteiro

    Só verdades….. e sustentar por quarenta anos a vidraça da critica, e nem o chumbo do anos sessenta conseguiu risca-lo. É muita diplomacia e caráter para um memorável e brilhante critico, e, infante ainda morou em uma Barra funda de uma cidade que tem muito Ourinhos de talento.

  • Marcella da Costa

    Sou fã!

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