Teatro Álvaro de Carvalho é invadido pelo riso da Cia dos Palhaços

A simplicidade como caminho seguro para se chegar à poesia do palco

 

POR MARCO VASQUES E RUBENS DA CUNHA

 

A mímica, a pantomima, o improviso, o clown, enfim, a arte da palhaçaria tomou conta do palco do Teatro Álvaro de Carvalho na tarde de terça-feira. Diante de um público pequeno, porém totalmente tomado pelo jogo cênico e pela poesia, a Cia dos Palhaços, de Curitiba, deu uma demonstração da grandiosidade do teatro cômico ao apresentar o musical Concerto em Ri Maior. O leitor não precisa se lamentar, pois a trupe ainda fará duas apresentações na Lona do Largo da Catedral, na quinta-feira, e uma última apresentação na Lona dos Ingleses, na sexta-feira.

O espetáculo é a prova inequívoca de que a simplicidade é um caminho seguro, quando se tem domínio técnico da cena e se constrói uma dramaturgia valorizando cada partitura da gramática teatral. A Cia. dos Palhaços não pretende inventar a roda, tendência muito comum no imaginário do teatro contemporâneo, eles manuseiam os princípios básicos do teatro e dominam plenamente as técnicas da comédia, gênero que desde Aristóteles, corre por     fora na preferência de críticos e historiadores.

Eliezer Brock e Felipes Ternes, autores e atores da peça movimentam-se com delicadeza e força pelas diversas linguagens utilizadas. O musical cômico apresenta o maestro russo Wilson Chevchenco (Ternes) e palhaço Sarrafo (Brock) que é seu fiel escudeiro, contrarregra, parceiro de cantoria e tradutor. Juntos eles apresentam um concerto em que a música, a dança, o malabarismo se misturam e vão provocando no público o riso limpo e a entrega total do espectador. Felipes Ternes é um virtuose que toca violão, piano e acordeão com a facilidade com que caminhamos, já seu parceiro, Eliezer Brock, faz com que o espectador acredite em casa passo dado no palco, em cada gesto e em cada palavra inventada. 

A peça-concerto retoma um tipo de humor sofisticado presenteem Charles Chaplin, Marcel Marceau e Buster Keaton, por exemplo. Humor que não recorre às baixarias, seja no texto, seja no humor físico. Os meninos apresentam especial habilidade em algumas cenas de improviso, aproveitando momentos específicos, como o atraso de um espectador, ou a saída de outro durante o espetáculo com maestria e inteligência.

O diretor e pensador do teatro Eugênio Barba, ao conceituar os vários níveis de dramaturgia existentes na prática teatral, alerta para a construção da dramaturgia do espaço e do público como componentes fundamentais para se elaborar a organicidade de um espetáculo. O trabalho que a Cia dos Palhaços apresenta no Festival Isnard Azevedo cria essa espécie de dramaturgia total de que fala Barba, e, o mais importante, está na contracorrente porque não se sujeita ao humor fácil, brega, burro e preconceituoso que pulula nos palcos de todas as capitais brasileiras.

 

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Uma resposta para “Teatro Álvaro de Carvalho é invadido pelo riso da Cia dos Palhaços

  • daufen bach.

    Olá!
    Recebi de meu amigo Jorge Vicente a sugestão de vir visitar e conferir a Revista Osíris e fiquei encantado com a qualidade da Revista… O conteúdo é realmente primoroso e a beleza estética do blog é perfeita! Parabenizo-os!!!

    Aqui comentando no post da Cia dos Palhaços porque sou fã do Ternes e do Block. Tive o prazer de assisti-los no auditório da federação das indústrias do estado do Paraná e foi, realmente, agradabilissímo… um verdadeiro show!!!

    Parabéns a todos!!!

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