INVASÃO TEATRAL

INVASÃO TEATRAL

Por Marco Vasques e Rubens da Cunha

O Fórum Setorial Permanente de Artes Cênicas de Florianópolis organiza e apresenta a “Invasão Teatral – Mostra Cênica de Desterro”, com uma programação que acontecerá de 01 a 08/02/2014 nos mais diversos palcos da cidade. A “invasão” conta com um total de 29 espetáculos e uma oficina, e, segundo os organizadores, tem como objetivo “mostrar um panorama da produção teatral de nossa cidade”. Além disso, “é uma mostra que possui um caráter independente, sem nenhuma vinculação com qualquer instituição pública ou privada”. Ressalte-se, porém, que a “Invasão Teatral” está recebendo apoio institucional da Fundação Catarinense de Cultura e da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, e alguns dos espetáculos da programação foram realizados com recursos públicos. Entretanto, ela tem seus pontos positivos: um deles é fazer com que em pleno verão haja alguns acontecimentos culturais para além dos óbvios shows na beira da praia; o outro é reivindicar, muito justamente, a criação de um edital municipal para o setor teatral.

A iniciativa é válida e merece apoio dos órgãos públicos competentes. No entanto, essa invasão deveria pensar nas questões estéticas como algo mais prioritário. Ou seja, os organizadores precisariam refletir de forma mais efetiva sobre a seleção dos espetáculos e, assim, enfrentariam a questão espinhosa “qualidade versus quantidade”. Olhando a programação, nota-se o velho desequilíbrio que acomete as mostras que tentam abarcar o máximo possível de produção.

No sítio oficial da Invasão, os organizadores justificam: “em um momento no qual as políticas culturais se mostram tão frágeis […], no qual se luta pelo reconhecimento da arte e da cultura como elementos estratégicos para o desenvolvimento da cidadania e das cidades, essa INVASÃO chama você para re-conhecer Florianópolis, seus artistas e seus espaços. Venha se divertir, emocionar, refletir, questionar e conhecer, invadindo você também, nossa velha-nova Desterro”. A invasão é necessária; ela deve acontecer sempre e de forma continuada; no entanto, ela não deve ser condescendente com peças esteticamente frágeis, com trabalhos imaturos e que depõem, justamente, contra o teatro que ora invade Desterro.

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3 respostas para “INVASÃO TEATRAL

  • Stephan Baumgartel

    Caro Marco,
    fico contente ao saber que você apoia claramente a iniciativa do ponto de vista político. Entretanto, não acho que o desequilíbrio estético do qual fala (e que certamente existe, concordo) é necessariamente um ponto negativo. Ao contrário, acho que a iniciativa tem como função levantar uma discussão sobre a situação da classe teatral aqui em Florianópolis, suas condições de trabalho. Portanto, acho legítimo apresentar um panorama mais variado que permite perceber os pontos fracos e fortes da produção local. Não acho que ela devia ser simplesmente uma vitrine (de excelência), mas um campo discursivo. Talvez não haja espectador em grande número com esse interesse. Mas é por isso que pessoalmente nunca gostei um chamado que começa com “venha se divertir e emocionar”. Acho que isso é mais servilidade perante o mercado e a indústria cultural do que construção de uma posição artística. Aliás, acho que devemos abandonar a reivindicação de receber apoio à cultura, mas reclamar de apoio financeiro digno para fazer arte.
    Por isso acho mais do que justo que a classe reivindica não apenas um edital municipal, mas o cumprimento integral e estável do financiamento previsto pela legislação federal em nível estadual e municipal. Infelizmente, não temos uma tradição de confiança nesse estado e nesse município no que diz respeito ao cumprimento da legislação e dos prazos dos editais.
    Pessoalmente acho que precisamos de critérios que excluem certos manifestações culturais dos editais de fomento, pois em seu espírito, eles devem apoiar a construção de um saber e uma tradição não de realizar eventos culturais mas de fazer arte. Não sei se neste ponto concordamos. Mas já seria um grande passo se o Edital Elisabeth Anderle de 2014 realmente saísse no início desse ano, com tempo hábil para pagar os aprovados antes do fechamento das contas pro causa das eleições.
    Por último, quero te convidar para assistir o espetáculo “Amor de Dom Perlimplim” no TAC, primeiro trabalho oriundo do curso da UFSC que possui claramente um elenco de atores. Sempre temos questões, mas certamente não será tempo perdido.
    Abraço, Stephan

  • Fátima Costa de Lima

    Não tinha lido o comentário do Stephan Baumgärtel: muito lúcido e politicamente esclarecedor.

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