Crítica do espetáculo Um, dois, três: Alice!

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Um, Dois, Três: Alice! – um espetáculo infantil

Por Marco Vasques e Rubens da Cunha

 

A Téspis é uma das companhias mais experientes e ativas do teatro catarinense. Possui experiência na construção de espetáculos adultos e infantis. Do repertório infantil, Um, Dois, Três: Alice! veio participar do 8º FITA. Trata-se de um espetáculo que traz à cena uma das obras-primas da literatura universal: Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, obra literária que colocou no imaginário do mundo uma série de seres estranhos como o Coelho sempre atrasado, a Rainha e, claro, a própria Alice, uma heroína bastante inteligente e corajosa.

Assim, sabendo do risco que é trabalhar com um material tão conhecido, Max Reinert, diretor do espetáculo, optou por uma boa mistura que reúne projeção de imagens, manipulação do cenário, adereços cotidianos e criativos, atores vestidos de maneira coloquial, e encaminhou a montagem para um aspecto mais lúdico, quase uma brincadeira de criança, em que os atores Denise da Luz, Jônata Gonçalves e Cidval Batista Jr. se desdobram em diversos personagens.

A linguagem cênica apresenta um tom cartunesco, é ágil, porém acompanhada por uma trilha sonora um tanto excessiva e repetitiva, chegando, em certos momentos, a desconcentrar o olhar sobre os movimentos da peça. No entanto, o grande acerto da direção e da atuação é não infantilizar (aqui percebido no sentido mais pejorativo) nem didatizar o texto nonsense de Carroll. O que se propõe ao público é um embarque numa viagem de som, cores e aventuras oníricas, sem muitos porquês racionais, afinal, como diz Alice no final da narrativa, “puxa, que sonho estranho eu tive”.

As possibilidades e as camadas oferecidas pelo espetáculo são suficientes para atrair tanto o “olhar livre” da infância quanto o olhar adulto. Boa direção, atuações firmes, dramaturgias bem construídas, com exceção da dramaturgia musical, são qualidades que foram apresentados no palco do Teatro da Igrejinha da UFSC neste quinto dia de Festival Internacional de Teatro de Animação.

Em que pese a qualidade do trabalho, faz-se necessário uma observação importante. O trabalho da Téspis, na acepção tradicional, não é um espetáculo de formas animadas, posto que abdica de dar anima (alma, em latim) a seres despossuídos de vida. A premissa tradicional do teatro de formas animadas é, em primeira instância, dar vida a um boneco, a um objeto ou a qualquer ser inanimado, transferindo o jogo teatral do ator para os elementos citados.

Um, Dois, Três: Alice! é uma espetáculo infantil centrado no trabalho dos atores, que manipulam constantemente o cenário para que ele possa se adequar ao andamento do espetáculo. Por isso, em nosso entendimento, sua presença num Festival de Internacional de Teatro de Animação só pode ser vista a partir de um erro conceitual. No entanto, em épocas em que a palavra hibridismo e o conceito de transposição de margens tendem a acomodar coisas distintas como iguais, não existe “injustificativas” que não se pense justificadas.

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